terça-feira, 6 de novembro de 2012



A Menina no País das Maravilhas (Phoebe in Wonderland)

O que acontece com Phoebe?
Ela mistura realidade e fantasia para lidar com suas angústias. Os pequenos rituais comuns da infância, com os quais as crianças brincam, vão assumindo proporções dolorosas quando esta menina de 9 anos passa a achar que suas ações podem mudar a realidade a sua volta. 
O filme traz a dificuldade dos pais e da escola para lidar com situações inesperadas vividas pelas crianças - e o papel libertador que a arte pode assumir na educação.

É sábado, 10 de novembro, as 16:30!

Confirmem sua presença!


segunda-feira, 18 de junho de 2012

A culpa é do Fidel

Dia 18/8, as 16 horas, o Desenrolando a Fita discutiu o filme "A culpa é do Fidel!".


Diretor: Julie Gavras
Elenco: Nina Kervel-Bey, Julie Depardieu, Stefano Accorsi, Benjamin Feuillet, Martine Chevallier, Olivier Perrier, Marie Kremer
Produção: Sylvie Danton
Roteiro: Julie Gavras, Domitilla Calamai, Arnaud Cathrine
Fotografia: Nathalie Durand
Trilha Sonora: Armand Amar
Duração: 99 min.
Ano: 2006
País: Itália/ França
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Estúdio: Gaumont / Canal+
Classificação: 14 anos


Anna, uma menina de 9 anos, é filha de um advogado espanhol e de uma jornalista francesa que não conseguem  ficar à parte da efervescência política na Paris do início dos anos 1970. Antes acomodados ao status quo de sua privilegiada condição social, os pais de Anna renunciam de alguns “luxos” e passam a participar de movimentos em prol do governo Allende, no Chile, o que transforma o agora apertado apartamento da família em um verdadeiro quartel general de militantes socialistas.

Em função dessa nova tomada de posição de seus pais diante dos valores que antes defendiam, a menina fica dividida entre a tradição (representada por seus avós, por sua escola católica, pela antiga empregada que cuidava dela e de seu irmão menor) e um mundo totalmente novo que se apresenta ao seu redor, cheio de situações que ela não compreende bem, pois fica apartada do processo que levou a esse novo quadro.

Questionadora, porém, começa a investigar, ouvindo conversas, pensando tudo à sua volta: as atitudes dos pais, as conversas com as várias babás que vão passando pela família, as próprias descobertas e experiências vão levando  a menina a montar o quebra-cabeça em que se transformou sua vida burguesa, agora virada de pernas para o ar.

Seu universo infantil vai se transformando e, aos poucos, de sujeito excluído, pois seus pais não atendiam a contento seus questionamentos, Anna começa a pertencer, se apropriando de conceitos ouvidos nas reuniões dos socialistas em sua casa (espírito de grupo, aborto, preconceito e solidariedade).

É curioso como o filme mostra uma polarização do processo vivido naquela época: ou se é uma coisa ou outra, ou se é católico ou se é socialista, ou se é rico ou se é pobre. Não há espaço para  as muitas nuances envolvidas nas novas situações. Mas Anna, inteligente, busca respostas, presta atenção, observa a movimentação dos adultos, constrói-se  enquanto sujeito. E assim o universo adulto começa a ser desvendado. As peças do quebra-cabeça vão se encaixando e já não é mais uma criança excluída, mas começa a se sentir pertencente às conversas que agora habitam seu universo.

    
O filme apresenta uma reflexão psicopedagógica interessante sobre o lugar do conhecimento cotidiano familiar para uma criança, pois é recheado de colocações políticas e valores típicos de uma era de mudança de paradigmas: aborto, papel da mulher, evolucionismo, religião. A personagem lê as situações conforme as suas posssibilidades de conhecimento. E os adultos ora   subestimam   sua compreensão infantil ora a consideram capaz de compreender as situações segundo o código adulto. E as questões pululam a cabeça e o coração de Anna... solidariedade...aborto...criação do mundo... barbudos...divisão de bens... Mas no final triunfa a sua capacidade de pensar e opinar com autonomia, não perdendo a chance de se colocar, em sua antiga escola, a favor da liberdade.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Enredos e reflexões - Um ano do Desenrolando a Fita!

Pela primeira vez reunimos nosso grupo e convidados para celebrar um ano do Desenrolando a Fita. 
No Sedes Sapientiae assistimos juntas ao filme Minhas tardes com Margueritte.



Que gostoso compartilharmos nossas emoções! Algumas de nós já tinham assistido ao filme e ainda assim nos emocionamos até às lágrimas. A abertura foi feita pela coordenadora e idealizadora do grupo, a profa. Elisa Pitombo.





 Estava friozinho mas o café e a alegria de estarmos juntas nos aqueceu - além dos petit fours!




A profa. Beatriz Stucchi também se juntou ao grupo de discussões.




  Obrigada aos que colaboraram e estiveram presentes. 
Parabéns, Desenrolando a Fita! 


terça-feira, 24 de abril de 2012

Preciosa




 
Título original: Precious
Diretor: Lee Daniels
Elenco: Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Paula Patton, Mariah Carey, Lenny Kravitz.
Duração: 110 min.
Ano: 2009
País: EUA
Gênero: Drama

Nossa discussão começou com a fala da Elisa: “Nossa, acho que carregaram na tinta! É muita desgraça para uma pessoa só!” Assim é Preciosa, uma história de esperança (EUA, 2099), um filme impactante sobre uma adolescente que enfrenta enormes dificuldades, numa vida recheada de tragédias.

Preciosa vive com a mãe no Harlem, subúrbio de Nova Iorque, num pequeno apartamento escuro e pobre. É negra, obesa, foi abusada pelo pai, de quem teve uma filha com Síndrome de Down que é criada pela avó, e está grávida dele novamente.

A mãe é de uma crueldade que fez algumas de nós ter de parar para respirar durante o filme. Acusa a filha de ter feito “seu homem” ir embora, usa de violência física e psicológica com constantes xingamentos e depreciações, obriga Preciosa a fazer todos os afazeres domésticos, incluindo a comida, que deve ingerir em grandes quantidades para que fique cada vez mais obesa. Permitiu o abuso da filha pelo pai em prol de sua própria conveniência e considera que toda a família deve ficar com ela para que possa tirar partido dos benefícios sociais dessa proximidade.

No início, a adolescente fala pouco e suas feições são carregadas. Ela não tem voz como pessoa. Mesmo com a oposição da mãe, ela frequenta a escola, onde fica alheia e não consegue ler ou escrever. Preciosa se refugia em suas pequenas fantasias onde se imagina com um namorado branco e bonito, vive num mundo de glamour e se vê amada. Talvez tenha sido esse o caminho para que ela mantivesse sua sanidade.

Quando percebe que Preciosa está grávida novamente, a diretora da escola regular recomenda que ela procure uma escola alternativa. E a alternativa vem cheia de significados – “alter” é outro e é a partir do olhar do outro que Preciosa passa a existir. As relações que pode estabelecer com a professora e com os colegas fazem com que possa se reconhecer. A nova escola é um ambiente que dá possibilidades e oportunidades, um ambiente “suficientemente bom”.

Pensamos na importância dessa professora e o quanto ela age psicopedagogicamente. Dá voz aos alunos, todos eles com problemas de comportamento e de aprendizagem. Quando Preciosa diz à professora que não sabe nada, essa retruca: “Todo mundo sabe alguma coisa”. Preciosa, certo dia, responde à pergunta da professora: “Onde você está?” e então pode dizer: “Estou aqui, estou existindo aqui hoje”.

No começo as letras e as palavras para ela são indistintas: “Para mim o que está escrito é tudo igual”. Num processo em que vai diferenciando as letras e as palavras ela pode também se perceber, nomear seus conflitos,  refletindo sobre eles e externando sua dor. A linguagem, como afirmou Vygostky, organiza o pensamento.

Preciosa passa a trocar um diário com a professora, a ter um interlocutor que possibilita que ela assuma sua autoria de pensamento. Descobre o prazer de conhecer e por meio da aprendizagem consegue romper com o ciclo de violência onde está imersa. Reflete sobre suas possibilidades e faz escolhas, escolhas vinculadas aos seus valores e crenças.

Embora o desenrolar dramático da história não tenha conduzido exatamente ao que se pode chamar de “final feliz”, sentimo-nos, de certa maneira, como sugere o título do filme: cheias de esperança. A esperança de que sempre haverá uma saída onde houver um olhar que reconheça o outro, um olhar que permita o encontro, onde se possa SER.