quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Um doce olhar


Este filme silencioso e contemplativo mostra uma comunidade onde há pouca fala mas não parece haver falta de comunicação.
Nos leva a um exercício de escuta e de ESPERA, tão pouco celebrado no ritmo de vida levamos.
Yussuf, o protagonista, se mostra absorvido pelas coisas que fazem parte de seu cotidiano, o que é típico nas crianças da sua idade. Seu olhar é eloquente e ele tem uma relação próxima e terna com o pai. Falam pouco e por sussurros, no entanto o pai alimenta seus sonhos e fantasias.
Na escola, tradicional e aborrecida, ele tem dificuldades de leitura. Decora uma história esperando que o professor peça para que ele leia, porém a leitura pedida é de um texto para a qual ele não estava preparado. O professor não o critica e não parece estar decepcionado, mas tampouco faz qualquer intervenção para ajudá-lo com seus problemas.
Yussuf demonstra ter algo mais além do problema de leitura. Na escola, na hora do intervalo ele não vai para o pátio e não brinca com outras crianças, permanecendo isolado. Pensamos que talvez a pouca fala e a pouca interação no ambiente familiar talvez tenha tido influência no surgimento de suas dificuldades.
Quando o pai desaparece, sua relação com a mãe, que passa desapercebida no início do filme, aparece mais forte.
As pessoas se apoiam com sua presença silenciosa. A comunidade tem comportamentos quase que medievais, o que fica mais evidente na festa onde a mãe de Yussuf vai procurar pelo marido.
O final é angustiante, com Yussuf correndo atrás da águia como se ela fosse levá-lo onde está seu pai.
Este filme Turco/Alemão é parte de uma trilogia que mostrará várias fases da vida de Yussuf.

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